Com Mark Ruffalo, Matt Bomer e Julia Roberts, novo filme do canal HBO narra a trajetória de um grupo de ativistas que enfrentou o preconceito e a injustiça em uma época em que a doença não tinha nome e era conhecida como “câncer gay”

“Por que eles estão nos deixando morrer?” Essa é a pergunta que paira sobre o comovente “The Normal Heart” , novo filme do canal HBO marcado para estrear no Brasil no dia 31 de maio. Feito exclusivamente para a TV, com Mark Ruffalo , Matt Bomer e Julia Roberts , o longa narra a trajetória de um grupo de ativistas homossexuais que lutou no início dos anos 1980 contra o preconceito, naquela época de pânico e incerteza em que “ aids ” era palavrão e a mídia e a sociedade se referiam à doença como “ câncer gay ”.

Dirigido por Ryan Murphy (de “Glee”, “The New Normal” e “Comer, Rezar, Amar”) e adaptado da peça de 1985 escrita por Larry Kramer , “The Normal Heart” é, sobretudo, um filme sobre injustiça, já que nos anos iniciais da epidemia, os homens gays eram o maior grupo infectado pelo HIV -- e, veja bem, em uma época pré-Madonna quando se assumir gay estava fora de questão, a menos que você morasse em uma grande metrópole, e olhe lá.

1977-2014: A AIDS, DE SENTENÇA DE MORTE A DOENÇA TRATÁVEL

Mark Ruffalo e Taylor Kitsch em cena de
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Mark Ruffalo e Taylor Kitsch em cena de "The Normal Heart "

Com Mark Ruffalo ("Os Vingadores") no papel do escritor Ned Weeks, o longa começa no ano de 1981, em uma Nova York pós-revolução sexual, no auge da cena gay efervescendo nas discotecas de Greenwich Village. Ao lado do amigo Bruce ( Taylor Kitsch , de “John Carter”), Ned faz uma viagem a Fire Island, ilha famosa por atrair o público gay, e lá presenciam a primeira crise de Craig ( Jonathan Groff , de “Looking”), que passa mal e quase desmaia na praia.

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Depois desse episódio, é uma questão de meses até que as primeiras mortes aconteçam e muito pouco, ou quase nada, se sabe sobre a doença. Ninguém tem ideia de como é contraída, como deve ser tratada, ou mesmo qual a procedência, se viral ou bacteriana. Os amigos vão aos poucos definhando e o sentimento é de impotência. Os jornais são arredios ao falar sobre o assunto, e falam apenas de uma nova crise entre os homossexuais, chamada de “câncer gay”.

Na sala de seu apartamento, Ned e Bruce fundam a organização Gay Men's Health Crisis , para tratar de assuntos sobre a saúde de homens gays. Não reconhecidos pela prefeitura de Nova York, eles contam com doações e eventos beneficentes para fomentar uma central de atendimento e apoiar estudos sobre a doença, como a pesquisa desenvolvida pela médica Emma Brookner, papel pequeno porém necessário da ganhadora do Oscar Julia Roberts .

Ned também vai atrás da imprensa e acaba conhecendo o bonitão Felix Turner, repórter do "The New York Times", interpretado por Matt Bomer (“White Collar”), em uma performance simplesmente comovente e digna de um Globo de Ouro. Os personagens se apaixonam e passam a morar juntos, porém Felix descobre também ter a doença.

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Em "The Normal Heart", Mark Ruffalo e Matt Bomer vivem o casal Ned e Felix

Apesar da rápida propagação dos casos a cada semana, Ned é ignorado pelo governo norte-americano, que ficou em silêncio sobre o assunto. Ele passa o tempo todo tentando chamar a atenção do prefeito de Nova York, mas ele se recusa a encontrar o grupo -- segundo eles, porque o próprio era enrustido e não podia apoiar os gays para não prejudicar sua imagem pública. “Quem é louco de falar sobre política gay?”, ironiza Ned logo nos minutos iniciais do filme. Os personagens consideram até que a doença tenha sido uma armação da CIA para acabar com a comunidade gay.

Mark Ruffalo: Emmy no horizonte para o elenco de
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Mark Ruffalo: Emmy no horizonte para o elenco de "The Normal Heart"

Emmy no horizonte para o elenco

“The Normal Heart” é contado de modo grosseiro, e é um pouco longo demais. O filme não tem muitas amarras, mas em compensação tem passagens devastadoras, como a cena em que Bruce é obrigado a pagar 50 dólares a um enfermeiro para que ele despache o corpo de seu namorado em um saco de lixo, pois o hospital se recusou a tomar conta do morto.

Talvez o filme não se saia tão bem nas premiações, como aconteceu com "Behind The Candelabra" , também da HBO, mas com certeza vai garantir uma porção de indicações ao Emmy, em setembro, principalmente nas categorias de elenco.

Carregando um pouco do texto original, feito para o teatro, o filme  tem uma porção de monólogos bem fortes, com destaque para o discurso do personagem de Jim Parsons (“The Big Bang Theory”) durante o funeral de um amigo. “Eu penso nas peças que não vão ser escritas e nas coreografias que não vão ser dançadas”, ele diz.

Mais de trinta anos separam os acontecimentos da história e o lançamento de “The Normal Heart” na HBO. As condições de quem contraiu o vírus HIV nos últimos anos já não são miseráveis e todo mundo sabe que é completamente possível ter uma vida tranquila sendo soropositivo. Mas mesmo assim é importante que todos assistam a “The Normal Heart”, para conhecer essa história recente de um grupo bravo e corajoso que lutou pela comunidade gay, cujos direitos ainda estão longe de ser alcançados.

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