Fim da temporada do“RuPaul’s Drag Race” é vista por fãs como uma final de Copa do Mundo

Qual a melhor drag queen dos Estados Unidos? Esta questão move o reality show “RuPaul’s Drag Race” há seis temporadas, desde 2009, no canal americano Logo. Nesta semana, o programa chega ao seu momento decisivo e vai eleger a drag campeã de sua sexta temporada. Mesmo não tendo exibição simultânea no Brasil, a atração atrai fãs brasileiros apaixonados e ansiosos para acompanhar o seu desfecho.

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O designer de produtos Rômulo Pellizzaro , 25, é um deles. “É um programa muito completo que mescla humor, cultura pop e ativismo. Ele ressuscitou a cultura drag para minha geração”, defende Rômulo, entusiasmado com o programa que começou a assistir por indicação de amigos.

Depois de ver o primeiro episódio, Rômulo não conseguiu mais parar e viu todas as temporadas anteriores em três semanas no Netflix. O serviço de streaming, que exibe as primeiras cinco edições, ainda não tem data para exibir a atual. O programa acabou despertado no designer a vontade de se montar como drag. 

Apaixonado pelo reality, Rômulo Pelizzaro pensa até em se montar como drag
Arquivo pessoal
Apaixonado pelo reality, Rômulo Pelizzaro pensa até em se montar como drag

“Hoje, moro com mais três pessoas. Mas no começo éramos umas 10, e todo mundo assistia, inclusive os héteros. As drags são mais respeitadas agora. Eu até quero ter a experiência ser uma um dia. Ver que tipo de drag nasce em mim”, brinca Rômulo.

O comando do reality é da drag mais famosa dos EUA, Ru Paul . Ela ganhou fama internacional nos ano 90 quando participou do clipe da banda The B-52s. Na mesma época, fez muito sucesso cantando com o astro Elton John uma versão divertidíssima da música “Don't Go Breaking My Heart". A performer ainda mantém a sua carreira de cantora, mas o seu maior sucesso é mesmo o reality.

Ru Paul não facilita a vida de suas pupilas no programa e exige delas performances e produções impecáveis. As concorrentes que não correspondem às expectativas acabam ouvindo comentários ácidos da diva drag.

Morador de Natal, o jornalista João Pinheiro , 24, é mais um dos admiradores de Ru Paul e deu seu reality. O “RuPaul’s Drag Race” é assistido por eles os amigos com a mesma paixão que o futebol desperta em grande parte dos brasileiros. “Conheci o programa em 2011, vi a primeira temporada sozinho numa tacada só. Na segunda, passei a me reunir com amigos. Na época, erámos uns oito, hoje somos 36.”, conta João, que costuma juntar sua turma para ver ao vivo as finais do programa.

Para João, o diferencial do reality é a possibilidade de ver quem são as figuras por trás das performances. “Quando você vê as drags na balada, acaba vendo só a personagem, não percebe ali uma pessoa que talvez tenha até uma história parecida com a sua. Tem também todo o glamour e a excentricidade que atrai bastante”, justifica ele.

FÃS HÉTEROS

Se engana quem pensa que o programa só atrai fãs gays. Muitas mulheres heterossexuais também não perdem um episódio do reality, como  a professora de dança Luiza Adnet , 27, que se viciou recentemente no programa. “Comecei em fevereiro. Tinha passado o dia vendo filme de homenzinho com meu namorado e aí resolvi ver o programa, fiquei obcecada. Meu sonho é ensinar ballet pras drags”, ironiza Luiza, que 'contaminou' até o pai no vício em Ru Paul. 

Luiza Adnet e um amigo paramentados em homenagem ao “Ru Paul’s Drag Race”
Arquivo pessoal
Luiza Adnet e um amigo paramentados em homenagem ao “Ru Paul’s Drag Race”

“Meu pai começou a ver por causa da namorada e agora tá adorando. A coisa mais hilária do mundo foi o dia que ele me mandou uma mensagem para dizer quais eram as drags preferidas dele . Virou superfã da Ru Paul, acha que ela diz coisas muito sábias”, relata Luiza.

Moradora do Rio de Janeiro, a professora de dança fez questão de vir a São Paulo no início de maio para ver a drag Jujubee, uma das mais famosas drags do reality, que esteve na cidade para se apresentar.  "No começo, eu via o programa sozinha em casa, sem ninguém com quem comentar. E de repente, eu estava no meio de um monte de gente cantando “Cover Girl”, foi bem emocionante. Pensei na hora: 'encontrei a minha galera'", lembra Luiza, citando um hit da artista. 

Luiza participa ainda de um grupo de fãs do “RuPaul’s Drag Race” chamado Brasil Lipsyncers. Numa rede social, ela os colegas trocam impressões sobre o reality.  

Fernanda Abreu participou até de um cruzeiro temático do reality show de drags
Arquivo pessoal
Fernanda Abreu participou até de um cruzeiro temático do reality show de drags


A coordenadora de marketing Fernanda Abreu , 32, faz parte do mesmo grupo. Ela se derrama em elogios ao falar da atração.  “Vejo com a minha irmã, achamos maravilhoso. É uma mistura de 'American Next Top Model', 'Project Runway' e 'American Idol'. Tudo isso estrelado por drags. É impossível não amar.”

Fernanda e sua irmã têm em seu 'currículo' uma experiência de fazer inveja aos outros fãs do reality. Elas participaram de um cruzeiro no Caribe do “RuPaul’s Drag Race”, em 2013. “Foi incrível. Não é exclusivo do programa, mas tem uma programação especial. Nos sete dias, têm apresentações, encontro com as drags e festas. Conhecer todas elas foi ótimo, tinha 60 ex-participantes. Nós cruzavamos o tempo todo com elas, montadas e demontadas”, se diverte Fernanda. 


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