Atriz de “Orange Is The New Black” foi premiada na última semana. Assim como ela, outras transexuais como Rogéria e Lea T ajudaram a quebrar preconceitos com seu trabalho

A última semana foi de reconhecimento para a atriz transexual Laverne Cox,  que estrela no Netflix a série “Orange Is The New Black”. Primeiro, ela foi escolhida como o destaque do ano pela Glaad (Aliança Gay e Lésbica Contra Difamação). Depois, Laverne foi citada como aposta de 2014 na lista anual da revista americana Out com os 50 gays mais poderosos do Estados Unidos. 

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O reconhecimento  do trabalho de Laverne é um alento para a comunidade T, ainda muito marginalizada em todo o mundo. A atriz e outros famosos transexuais que vieram antes dela vão abrindo caminho para esta população conquistar seu espaço, mostrando que os trans podem brilhar não só no meio artístico, mas em qualquer profissão, desde que tenham a chance de fazer isso. 

Laverne surgiu na vida dos norte americanos em 2008, quando participou do reality show “I Want to Work for Diddy” ( VH1), que buscava uma assistente para o rapper P. Diddy . Cinco anos depois, ela ganhou o papel em  “Orange Is The New Black” e virou estrela nos EUA. 

Com a série, Laverne passou a ser vista como uma das responsáveis por trazer visibilidade a comunidade T em tempos contemporâneos, ao lado da ativista Janet Mock e de  Carmen Carrera,  a modelo ultra sensual e ex- participante do reality show “RuPaul’s Drag Race”. Além de estampar capas de revistas, Carmen foi escolhida por 50 mil pessoas para se tornar uma das modelos da grife americana de lingeries Victoria's Secret. 

TRANSBRASIL

Por aqui, são as modelos que evidenciam a ascendência da comunidade trans, sem falar das militantes, claro. 

Não dá para começar a falar delas sem citar a top  Lea T . Filha do jogador de futebol Toninho Cerezo , ela é atualmente uma estrela das passarelas e musa do estilista  Riccardo Tisci , o todo poderoso criativo da grife francesa Givenchy.

As modelos Carol Marra e Felipa Tavares  também são destaques trans nas passarelas e revista de moda. 

Na tela da TV, temos Nany People e Léo Áquila . Ambas iniciaram suas carreiras como drag queens, mas passaram por processos de adequação de gênero, como a cirurgia de implante de seios. Sempre esbanjando bom humor Nany foi repórter no programa "Hebe" (SBT), entre 2001 e 2006, e participou da 3ª edição do reality “A Fazenda” (Record). Atualmente, ela está em cartaz em São Paulo com a peça “TsuNany”.

Já Léo foi repórter dos programas “Noite a Fora” (2001 a 2005) e “Bom Dia Mulher” (2006 a 2010), ambos da Rede TV. Em 2012, ela  integrou o time de confinados de “A Fazenda”. A transexual também concorreu ao cargo de  deputada estadual em 2006, mas não conseguiu se eleger.

Obviamente, que ao se falar de transmulheres no Brasil, é impossível não citar dois nomes fundamentais: Rogéria e Roberta Close . Cada qual a sua maneira, as duas conseguiram brilhar no meio artístico, rompendo barreiras e quebrando preconceitos.

TRANSOMENS

Chamados transhomens, os transexuais masculinos têm ainda menos espaço na mídia. Porém, com seus trabalhos e militância, Chaz Bono , João W. Nery e Leo Moreira Sá conseguiram seu lugar ao sol.

Filho da diva gay Cher , Bono teve seu processo de adequação de gênero acompanhanado pela imprensa e virou tema de documentário. Com o passar dos anos, ele publicou quatro livros não traduzidos no Brasil, além de trabalhar como músico e militante LGBT.

O ator transhomem Leo Moreira Sá contou sua história na peça
Edu Cesar
O ator transhomem Leo Moreira Sá contou sua história na peça "Lou & Leo"

Escritor de "Viagem Solitária" (Leya Brasil), que conta sua vida e dará origem a um filme em breve, Nery foi o primeiro transhomem operado no país. Ele viveu no anonimato por décadas por conta dos documentos masculinos conseguidos ilegalmente. Seu grande receio era ser preso por crime de dupla identidade. 

Por fim, Leo Moreira Sá, uma ex-baterista da banda de punk rock feminino As Mercenárias que passou por altos e baixos ao assumir sua identidade masculina. Ele contou sua história na peça "Lou & Leo". Na década de 80, quando cursou Ciências Sociais na USP, Leo começou a militar pela causa gay, participando inclusive do grupo SOMOS, o primeiro de militância LGBT do País. 

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