Uma dos mais importantes agitadores da noite gay de São Paulo, o paulistano pretende agora discutir as questões LGBT no Congresso Nacional

Gays, lésbicas ou transexuais que frequentam a noite LGBT paulistana a partir dos anos 90 sabem quem ele é. O DJ André Pomba , 49, foi um dos grandes impulsionadores desta parte da vida noturna de São Paulo, especialmente por sua atuação no lendário clube A Lôca, o inferninho mais querido e animado da cidade.

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Em 1998, Pomba criou a primeira festa de rock voltada para o público LGBT de São Paulo, a Grind. “Nunca fui muito ligado à cena eletrônica. Conversando com o pessoal da A Lôca e percebemos que muita gente curtia rock, mas não tinha opções de domingo ou de matinês. Nós criamos a noite e reinamos sozinhos por quase 10 anos”, conta ele.

Pomba lembra que as baladas tinham outro papel na vida dos homossexuais quando ele criou a Grind. “As pessoas iam às casas noturnas para exercer a sexualidade, para poder ser quem eram sem julgamentos. Hoje, elas já se sentem à vontade na rua, num barzinho.”

As pessoas iam às casas noturnas para exercer a sexualidade, para poder ser quem eram sem julgamentos. Hoje, elas já se sentem à vontade na rua, num barzinho

Ao longo destes 16 anos, o DJ viu o mercado LGBT evoluir e se diversificar. “Ninguém pode reclamar da oferta de bares, baladas e restaurantes em São Paulo. Tem festa para todos os tipos: loucos, caretas, barbies e ursos. Tem também quem toque tribal, MPB, rock”, aponta Pomba, recordando ainda que as casas que abriam na época, não sobreviviam e fechavam rapidamente. “Eu brinco que existiam os gays dos Jardins, os gays do Centro e no meio A Lôca, que recebia todo mundo que não se encaixava em nenhum dos dois lugares”.

Muito mais do que o preconceito, Pomba percebe que a especulação imobiliária é atualmente o grande obstáculo às casas noturnas da cidade. “As construtoras e associação de moradores estão se unindo para transformar a cidade em um grande dormitório, indo contra bares, restaurantes e baladas. Foi assim com os Jardins e está sendo agora com a Rua Augusta e imediações”, critica o DJ, citando a famosa rua paulistana, que vive uma onda de verticalização nos seus arredores.

Alertado para a ocorrência do mesma especulação imobiliária na região da Praça Roosvelt, que foi revitalizada pelos grupos de teatro, Pomba ressalta, no entanto, que não é contra o mercado imobiliário.“O problema é que pela lei de zoneamento o índice construtivo da Augusta é muito alto, então as construtoras fazem prédios gigantes e ignoram o lado boêmio da região. Os prédios de lá têm comércios no seu térreo, eles conversavam com as pessoas.”

DA NOITE PARA A POLÍTICA

Preocupado com esse avanço da especulação imobiliária sobre as casas noturnas, assim como com os direitos da comunidade LGBT, Pomba quer discutir estas questões no Congresso Nacional. Ele pretende ser candidato a deputado federal pelo Partido Verde (PV). A atuação política não é novidade na vida do DJ, que atuou no combate à Ditadura Militar brasileira, trabalhando no final da década de 70 pela revitalização de entidades estudantis.

Homossexual militante, Pomba acha fundamental que os gays tenham mais representantes na política
André Giorgi
Homossexual militante, Pomba acha fundamental que os gays tenham mais representantes na política

“Ia às reuniões ilegais para reconstruir a UNE, UMES e UBES. Já se vão quase 35 anos de militância politica. Desde a adolescência tenho uma consciência política”, rememora Pomba.

O DJ está há pouco tempo no Partido Verde. “Entrei no PSDB porque me sentia atraído pelas ideias de centro-esquerda, mas o partido mudou. Falta claramente um direcionamento para questões dos LGBTs. Há dois anos, quando entendi que precisava dar a cara à tapa, o PV me acolheu muito bem”, explica ele.

Coordenador da Comissão de Diversidade do PV, André convidou nomes conhecidos na militância gay para integrar o partido, como a transexual mineira Agatha Lima e a famosa drag queen Silvetty Montilla , que é pré-candidata à deputada estadual por São Paulo.

Para Pomba, é preciso ter LGBTs nas esferas de poder para que os direitos da comunidade gay avancem. “Não digo que candidatos héteros não possam, temos até a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) como exemplo. Porém, quando temos um representante gay, a população se mobiliza”, argumenta o DJ.

Lembrando que o deputado federal Jean Wyllis (PSOL-RJ) é hoje o único homossexual assumido no nosso Congresso, Pomba entende que as conquistas serão maiores se a comunidade gay tiver mais representantes no Congresso, assembleias estaduais e câmaras de vereadores.

Quando tivermos mais de uma pessoa, conseguiremos infernizar, ter contrapontos coerentes. Um pauta boa pode mudar tudo. O PT, por exemplo, tinha pouquíssimos deputados e fazia um estrago

“Quando tivermos mais de uma pessoa, conseguiremos infernizar, ter contrapontos coerentes. Um pauta boa pode mudar tudo. O PT, por exemplo, tinha pouquíssimos deputados e fazia um estrago”, avalia o DJ, lembrando dos primeiros anos do Partido dos Trabalhadores.

A plataforma eleitoral de Pomba não se restringe às questões do universo LGBT, inclui também propostas polêmicas como descriminalização do aborto e a legalização das drogas. “Temos que falar com outros públicos, Gays não votam em gays só porque eles são gays. Votam em quem tem estrutura, boas plataformas.”, conclui o DJ.

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