Braden Summers criou a série “All Love Is Equal” ao perceber que homossexuais costumam ser retratados na publicidade e na mídia sexualizados ou como vítimas

Com o seu olhar de fotógrafo experiente, o nova-iorquino Braden Summers percebeu há alguns anos que os casais gays, diferentemente dos heterossexuais, raramente são retratados de maneira romântica pelo meios de comunicação e na publicidade. Na intenção de começar a reverter este cenário, ele resolveu criar o projeto “All Love Is Equal” (Todo amor é igual em inglês), uma série de retratos de pares homossexuais em clima de romance.

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A função desta série é tirar a imagem extremamente sexualizada e vitimizada que as pessoas têm em relação aos LGBTs

“Eu sou gay e senti uma responsabilidade social ao realizar este projeto. Sabia que era capaz como fotógrafo. Podia sentir ainda a energia potencial que a criação deste tipo de imagem, em várias culturas, pode ter numa escala global”, explica Summers ao iGay . “A função desta série é tirar a imagem extremamente sexualizada e vitimizada que as pessoas têm em relação aos LGBTs”, completa ele.

Summers teve o insight para o projeto durante uma sessão de fotos nas ruas de Paris, onde estava registrando uma campanha publicitária. Na ocasião, o namorado do fotógrafo comentou que deveria haver um casal gay naquele cenário. “A partir disso, quis fazer uma série de fotografias icônicas em diferentes culturas em todo o mundo”, conta o americano, que com seu projeto passou pela própria Paris e também por Mumbai, Beirute, Johanesburgo, Nova York, Los Angeles e Rio de Janeiro.

Para custear o “All Love Is Equal”, Summers criou um projeto de financiamento coletivo no site Kickstarter. Ele conseguiu arrecadar R$ 55 mil, R$ 3 mil a mais do valor que ele havia projetado para visitar todas as cidades, que foram escolhidas com o objetivo de mostrar uma ampla diversidade cultural.

“Eu queria cidades que representassem bem as culturas de cada país. Além de lugares que passassem a sensação de algo incrivelmente global, com uma grandiosidade importante para a fantasia”, argumenta Summers.

Para representar essa alegoria com ares cosmopolitas, Summers recrutou casais reais, mas também modelos profissionais. Aliás, ele não escondeu que usou critérios estéticos para escolher quem seria fotografado. “Eu quis focar a beleza para proporcionar uma grande fantasia... numa reminiscência icônica do que temos visto ser protagonizada há muitas décadas por casais heterossexuais nos cinemas e na publicidade”.

Eu quis focar a beleza para proporcionar uma grande fantasia... numa reminiscência icônica que temos visto ser protagonizada há muitas décadas por casais heterossexuais nos cinemas e na publicidade

Todos estes critérios foram levados em conta na passagem de Summers pelo Brasil, na cidade escolhida por ele, o Rio. “Foi a único lugar em que meu amigo produtor Greg Jaroszewski não estava comigo para me ajudar”, relata o fotógrafo, citando um profissional com quem dividiu a realização de “All Love Is Equal”.

Aproveitando uma folga no trabalho, o fotógrafo realizou um antigo desejo de sobrevoar a Cidade Maravilhosa num voo de asa-delta. “Clichê? Provavelmente, mas era como um sonho”, admite Summers, que como a maioria dos visitantes vindos do hemisfério norte, se encantou com o sol exuberante da cidade em pleno inverno.

Braden Summers se encantou com o sol exuberante do Rio em pleno inverno
Divulgação
Braden Summers se encantou com o sol exuberante do Rio em pleno inverno

“Estive no Rio durante os meses de inverno. E pude me vestir com um traje de banho mínimo na praia, rodeado de pessoas lindas. O que poderia ser melhor que isso?”, recorda Summers.

O fotógrafo de Nova York, que já teve sob suas lentes astros como Jude Law, Christopher Walken e Laura Linney , tem a ambição que o seu trabalho influencie publicitários e produtores culturais no mundo.

“Espero que a comunidade LGBT se torne cada vez mais comum na publicidade e nos comerciais no futuro”, almeja o fotógrafo, acreditando que o preconceito tende a diminuir na sociedade. “Nós não seremos vistos como cidadãos de segunda classe e nem seremos mortos por amar quem queremos amar”, projeta ele, que pretende continuar a série no México e em alguns países na Ásia, ainda não definidos.

Também está em seu horizonte uma exposição itinerante com as fotos do casais e um trabalho com o meio empresarial. “Quero fazer parcerias com grandes empresas para mudar a cara da publicidade por meio da criação e promoção de imagens de igualdade”, finaliza Summers.

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