Ex-cantor do N'Sync contou que sua mãe escreveu uma carta para a Congregação Batista pedindo mais tolerância com a população LGBT

Ex-integrante do grupo N’Sync, o cantor Lance Bass escreveu um tocante relato do seu processo de saída no armário para o jornal online The Huffington Post, que o publicou na última quinta-feira (09). No artigo, ele conta como foi crescer no sul dos Estados Unidos, região conhecida por um forte e atuante conservadorismo religioso, que rejeita abertamente a comunidade LGBT. Lance também revelou que sua mãe mandou uma carta para a Congressão Batista, denominação a qual sua família pertencia, pedindo uma postura mais tolerante da entidade. 

“Crescer como um garoto gay no sul não foi fácil. Com o medo constante de que as pessoas descobrissem quem você realmente é e a inevitável vergonha que cairia sobre você e sobre sua família quando isto viesse a público”, admitiu Lance.  

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Lance relatou ainda que sua saída do armário teve consequências para a sua família. “Felizmente, tive a sorte de me mudar para lugares que não me apontavam diariamente como uma abominação. Porém, minha família segue neste marco zero de intolerância para a comunidade LGBT, tendo a pressão única de ter um parente gay bem conhecido. Quando eu me assumi, eles se assumiram”, observou o cantor.  

De acordo com Lance, seus parentes eram tratados com condescendência pelas pessoas mais próximas e também por estranhos.

“Durante anos, eles tiveram que lidar com os olhares de julgamento e condolências constantes de amigos e estranhos. Como se eu tivesse morrido: ’Eu sinto muito , você está em nossos pensamentos’", lamentou Lance, ao lembrar da situação. 

Mas depois de algum tempo, a família do cantor passou a se posicionar contra esse assédio. A mãe dele inclusive se envolveu com as questões LGBT, tentando promover um diálogo entre a comunidade gay e os religiosos. 

“Em uma carta muito honesta para a Igreja, ela sugeriu como verdadeiros cristãos devem agir em relação à comunidade LGBT. Sua carta foi tão bem recebida que outra Igreja local a convidou para falar com sua congregação”,  revelou Lance, demostrando satisfação com o gesto dela. "Estou extremamente orgulhoso da minha família e, especialmente, da minha mãe. Pela forma como ela tem conduzido este momento confuso em sua vida. Para mim, ela é a representação de uma verdadeira cristã”

Lance Bass ao lado da mãe Diane
Reprodução/Instagram
Lance Bass ao lado da mãe Diane

Uma carta pelo acolhimento

Na carta da mãe  Diane Bass para a Congregação Batista , também publicada pelo Huffington Post,  ela fala sobre o processo de aceitação do filho, do acolhimento da comunidade gay e da falta de aceitação da Igreja. 

“Sete anos atrás, nós descobrimos que Lance é gay. Estávamos totalmente surpresos e arrasados. Porque nem em um milhão de anos teríamos adivinhado. Além disso, porque era uma coisa tão pública, algo muito pior para família. Não quero entrar em detalhes pessoais da revelação, mas vou lhe dizer que a primeira coisa que fiz foi cair de joelhos e perguntar ’O que Jesus faria?’", escreveu Diane na carta.  

"Eu quase que imediatamente sabia a resposta... amo meu filho . E é isso que eu fiz. Nunca pensei em virar as costas para ele .Não me senti envergonhada, meus sentimentos eram mais de tristeza e decepção”, prosseguiu ela. “Nunca acreditei que ser gay era uma escolha. Eu sempre senti compaixão pela dor de alguém rejeitado e meu coração sempre esteve com eles“, ascrescentou a mãe do ex-N'Sync. 

Diane confessou que o seu processo de aceitação no foi fácil e que chegou a implorar para que Deus fizesse um 'milagre' e o filho se tornasse um heterossexual, mas com o tempo ela foi aprendendo a lidar com a sexualidade do filho.  

"O milagre é que eu aprendi a ter amor incondicional e compaixão pelo meu filho e outros membros da comunidade gay. Eu não marcho em desfiles ou falo em convenções, mas eu sinto que Deus me levou a falar sobre o papel da Igreja. Meu filho é um cristão e quer ser capaz de adorar, mas ele não sente que a Igreja se preocupa com ele e tem praticamente o deserdou como um irmão”, concluiu Diane. 




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