Atitude do presidente americano é vista como uma mensagem de desaprovação à legislação antigay da Rússia

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Ao escolher os representantes dos Estados Unidos para a edição de inverno dos Jogos Olímpicos de Sochi, em 2015, o presidente Barack Obama mandou uma mensagem clara ao governo da Rússia, mostrando como gays e lésbicas devem ser tratados.

Billie Jean King , a lenda do tênis, será um dos dois atletas abertamente homossexuais que estarão na delegação dos EUA na abertura e encerramento dos jogos. Pela primeira vez desde 2000, o governo americano não enviará alto representante ao evento, como um presidente, ex-presidente, a primeira-dama ou vice- presidente.

A Rússia tem estado sob fortes críticas desde que autoridades locais aprovaram leis nacionais que proíbem a chamada "propaganda gay". Embora a Casa Branca não tenha abordado especificamente a legislação russa no anúncio, o porta-voz americano Shin Inouye afirmou que a delegação "representa a diversidade que forma os Estados Unidos” e que Obama "sabe mostrar ao mundo o melhor da América - a diversidade, determinação e trabalho em equipe.”

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Segundo a Casa Branca, a agenda de Obama não permitirá que ele participe dos jogos. A França e a Alemanha estão entre os outros países que não enviarão seus presidentes jogos em Sochi.

Michael Cole - Schwartz, porta-voz da organização de defesa de direitos LGBT Human Rights Campaign, aprovou a decisão do governo americano. "É um sinal positivo ver representantes abertamente homossexuais na delegação", analisou Cole – Schwartz, que recentemente mandou uma carta a Obama pedindo a inclusão de gays e lésbicas na delegação.

"Esperamos que ele (Obama) esteja enviando uma mensagem para o povo russo e para o resto do mundo de que os Estados Unidos valoriza os direitos civis e humanos das pessoas LGBT", completou Cole – Schwartz.

No início deste ano, Obama rejeitou a ideia de um boicote dos EUA aos Jogos Olímpicos, apesar da série de discordâncias que o representado por ele tem com a Rússia, incluindo aí a lei antigay.

O Comitê Olímpico dos EUA não fez comentários públicos sobre a orientação sexual da delegação. Mas num aceno de que desaprova a legislação russa, o órgão revisou recentemente sua política de não discriminação para incluir o tema orientação sexual.

Billie Jean King se sentiu honrada com no convite: "Estou orgulhosa de estar com os membros da comunidade LGBT em apoio a todos os atletas que estarão competindo em Sochi. Espero que estes Jogos Olímpicos sejam realmente um divisor de águas para a aceitação universal de todas as pessoas”.

Assim como os EUA, França e Alemanha também não enviarão presidentes para os jogos de Sochi
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Assim como os EUA, França e Alemanha também não enviarão presidentes para os jogos de Sochi


Vencedora de 39 títulos de Grand Slam (individuais, duplos e mistos), Billie Jean tem sido proeminente ativista dos direitos de igualdade para as mulheres ao longo da última década. Ela recebeu do governo americano Medalha Presidencial da Liberdade.

A jogadora de hóquei Caitlin Cahow será a outra representante abertamente gay da delegação americana. Ela estará na cerimônia de encerramento dos jogos.

Quando comparado à postura americana na última edição de inverno dos Jogos Olímpicos, em 2010, na cidade Vancouver, o gesto de Obama envia um sinal forte. Naquela época, o vice-presidente americano Joe Biden liderou a delegação. Em Londres, nas Olimpíadas de verão de 2012, essa honra coube a primeira-dama Michelle Obama .

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