Realizada no Centro de Tradições Nordestinas, na Zona Norte da cidade, a cerimônia foi marcada pela ansiedade e pela emoção

Treze casais gays se casaram no civil na tarde desta sexta-feira (29), no primeiro casamento coletivo LGBT realizado no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), que fica no bairro do Limão, na Zona Norte de São Paulo.

No lugar do tradicional tapete vermelho, os noivos foram ao encontro dos seus pares num longo carpete com as cores da bandeira arco-íris, tradicional símbolo do movimento gay. O bolo da cerimônia também foi colorido.

Como era de se esperar, o clima entre maioria dos noivos era de ansiedade. Juntas há 12 anos, a técnica de enfermagem Fernanda Pasquino , 36, e a analista de sistemas Maria Isabel Lopes , 41, se divertiam brincando uma com a outra para descontrair a tensão.

CURTA O IGAY NO FACEBOOK 

“Ela estava me enrolando”, ironiza Maria, ao falar da parceira com a reportagem do iGay . A esposa ri da provocação, mas não consegue esconder a ansiedade. “Estou sentindo um frio na barriga, nem sei como explicar, agora é para valer, né?”, confessou Fernanda.

Mesmo admitindo ter consciência de que era homossexual desde a juventude, a analista de sistemas já havia casado com um homem anteriormente. “Apesar de sempre saber o que queria, tive um casamento hetero por conveniência familiar. Depois de me separar, eu decidi viver a vida do meu jeito”, explicou Maria, que tem dois filhos, um de 21 e outro de 23 anos.

Ambas relatam que enfrentaram discriminação por conta de sua sexualidade. “Chegamos a sofrer preconceito até da família, mas o início sempre é difícil, né? Hoje está tudo bem, tudo tranquilo, o bicho papão foi embora”, descreveu Fernanda, com um sorriso no rosto.

Muitos familiares do casal compareceram, mas outros não puderam ir por causa da limitação de convidados. “Eu não trouxe a família toda porque tinha limite, mas tem bastante gente aí. Uma parte da minha família de Santos alugou uma van para vir, então imagina”, contou Maria, sem conter a animação.

Bonequinhos no topo do bolo do casamento coletivo
Edu Cesar
Bonequinhos no topo do bolo do casamento coletivo

Não menos empolgados, o cabeleireiro Robson Domingues , 32, e o açougueiro Alisson da Silva, 26, mal podiam esperar a hora de dizer ‘sim’ diante do juiz de paz. Os dois, que estão juntos há apenas quatro meses, demostravam convicção a respeito do grande passo que estavam dando.

“Estamos há pouco tempo juntos, mas temos certeza do nosso amor, não sabemos como, mas temos certeza”, disse Alisson. “Meus pais estão aqui me apoiando, todos ficaram muito felizes quando disse que iria casar”, continua ele. “Foi aceitação total sempre”, completou Robson.

O casamento coletivo foi uma iniciativa entre o Centro de Integração da Cidadania Norte – um programa do Governo do Estado de São Paulo – e o CTN. “Nós queríamos causar um impacto e mostrar para a sociedade que esse é um direito adquirido dos casais homossexuais e que eles casais podem realizar o casamento gratuitamente nos diversos cartórios de registros naturais do Estado de São Paulo”, explicou. “A gente quer muito que isso vire tradição também, já estamos marcando o próximo para maio”, explica Rosangela Escridelli , diretora técnica do órgão estadual.

“Nós sempre combatemos qualquer forma de preconceito. Desde quando abrimos as portas sofremos com isso, inclusive um ataque de skin heads, com pichações de frases ofensivas contra os nordestinos. A partir daí começamos uma luta incansável contra qualquer tipo de preconceito”, afirma Renata Abreu , presidente do Centro de Tradições Nordestinas.

“O casamento entre pessoas do mesmo sexo é até mais emocionante do que o hétero porque você vê sinceridade, união e enxerga mesmo que é possível o amor entre eles. Isso foi uma conquista, um marco e vai ficar para a história”, finaliza Abreu.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.