No Brasil para o lançamento do filme “Interior. Leather Bar”, que dirigiu ao lado de James Franco, e integrar o time de jurados do Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual, norte-americano falou ao iG sobre o projeto e o universo sadomasoquista

O documentarista Travis Mathews  , 38, diretor de "Interior. Leather Bar", que abriu na noite de quinta (7) a 21ª edição do festival Mix Brasil, estreou no cinema já envolto no universo LGBT. Homossexual assumido, realizou, em 2005, o longa documentário “Do I Look Fat?” ("Eu Pareço Gordo?", em tradução livre), sobre um homem gay com distúrbios alimentares. Mestre em psicologia, ele usou seus conhecimentos acadêmicos e sua experiência pessoal para construir uma carreira dedicada ao universo gay, que retrata de maneira explícita, porém delicada.

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Quatro anos depois do lançamento do primeiro documentário, iniciou a série documental “In Their Room” (Dentro do Quarto, em tradução livre), sobre homens gay e seus quartos. Em 2009, retratou gays americanos de São Francisco, onde mora. Em 2010, fez o mesmo com uma série de alemães em Berlim; em 2011 foi para Londres registrar os ingleses.

A experiência deu origem ao roteiro do polêmico curta “I Want Your Love” (Eu Quero Seu Amor), filmado em 2010, que conta a história de dois amigos de sexualidade indefinida que decidem transar uma noite. Com cerca de 15 minutos de duração, gerou um debate interminável pelas cenas de sexo explícito que continha: seria um filme pornô com enredo e cenas dramaticamente realistas ou um filme realista com cenas pornôs?

Independente dessa questão, ou também por conta do debate gerado, o sucesso do curta foi tanto que, em 2012, virou um longa. Igualmente sensível e delicado, integrou o Festival Internacional de Cinema LGBT de São Francisco, o Out Fest - Festival de Cinema Gay de Los Angeles e o Festival de Cinema LGBT de Toronto. Nesse circuito, chamou a atenção do ator James Franco  .

“Ele assistiu ao meu filme e estava em busca de um projeto que envolvesse referências a 'Parceiros da Noite' (filme de 1980 com Al Pacino  , que provocou uma revolução ao retratar a sexualidade gay), que assimilasse sexo e a colaboração de alguém que já tivesse feito este tipo de filme antes. Essa pessoa tinha que ser eu, então de repente ele se aproximou de mim. Nós não tínhamos nenhum amigo em comum, mas foi muito fácil trabalhar com ele, fácil mesmo”, conta o diretor.

O projeto que fizeram juntos foi o longa “Interior.Leather Bar”, que mistura ficção e documentário ao contar a história dos 40 minutos censurados do longa “Parceiros da Noite”, em que Pacino interpreta um detetive que se infiltra no mundo do sadomasoquismo e do fetichismo gay em busca de um serial killer.

“O James me contatou, nós conversamos e logo de cara tivemos certeza de que seria uma excelente colaboração, mas então seguimos nossos caminhos. Mais tarde voltamos a nos falar, e juntos descobrimos toda a mitologia dos 40 minutos, de que nenhum de nós dois nunca tínha ouvido falar. Eu já tinha visto o filme uma porção de vezes, e conhecia os protestos (durante a filmagem, grupos gays acusaram o filme de homofóbico e tentaram impedir as filmagens), mas não conhecia os 40 minutos”, relata ele. E completa: “Nós escolhemos recriar uma parte desses 40 minutos.”

James estava em busca de um projeto que assimilasse sexo e a colaboração de alguém que já tivesse feito este tipo de filme antes. Esta pessoa tinha que ser eu (Travis Mathews)

Criar uma visão do universo sadomasoquista não foi uma preocupação para Travis. “Eu não tive que pesquisar muito, não. Não porque sou um expert, mas porque no final das contas entender o 'Parceiros da Noite' era mais importante do que entender alguma cultura ou comunidade.”

O polêmico tema também não foi empecilho, já que não foi necessário sair em busca de financiamento para a execução do filme. “Tínhamos um orçamento pequeno e tudo foi financiado pela Companhia de Produção do James, então nós não precisamos procurar outros recursos”, diz o diretor, que afirmou também que, mais do que a temática, a questão é de posicionamento. E ele apela até para "50 Tons de Cinza", o best seller escrito por E.L.James. “Depende de tudo, depende do contexto, do que você está mostrando, do que você sugere. Eu nunca li '50 Tons de Cinza', mas sei que há um interesse por esta entrega (de que trata o livro, um soft-pornô que retrata uma relação sadomasoquista). Eu não sei, talvez as coisas estejam mudando”, encerra.

Confira o trailer do longa "Interior. Lether Bar":





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