Ator e modelo que está em cartaz em São Paulo interpretando um garoto de programa gay na peça "O Covil da Beleza” fala sobre sua carreira e o desafiador papel

Difícil não prestar atenção em Daniel Aguiar  , 37. Corpo malhado, cabelos e olhos claros e um sorriso fácil, ele foi modelo de sucesso, chegou a desfilar para marcas como Valentino, Dolce & Gabbana e Fendi, e estrelou campanha ao lado da top Gisele Bündchen.

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Em 2006 o bonitão deu seu primeiro passo como ator, logo de cara como protagonista, na novela "Alta Estação", da Record. No ano seguinte caiu nas graças do público dando vida ao mutante Vlad, em “Caminhos do Coração”, na mesma emissora. 

O vilão ajudou Daniel a se distanciar da mensagem que sua beleza passa para o público. “Todo mundo espera que eu seja um rapaz fofo, delicado, por isso tento cada vez menos ser um bom moço”, revela ele, enquanto reafirma seu gosto por interpretar homens maus.

Na peça "O Covil da Beleza", em cartaz no Teatro Augusta, o ator dá vida a Adonis - sim, seu personagem tem o mesmo nome do deus grego da beleza e do desejo -, um garoto de programa que usa todos os artifícios para se dar bem na vida: beleza, manipulação, sexo, furto, tráfico de drogas e uma longa lista de pequenas, e médias, falcatruas.

Escrita pelo dramaturgo  Eduardo Ruiz  , a peça tem uma particularidade interessante: um elenco onde todos os atores são incrivelmente belos. E, mesmo no meio de tanta beleza, Daniel chama atenção.

De início, era o próprio Ruiz quem interpretaria Adonis, mas o destino deu um jeitinho para que Daniel ficasse com o papel: “Quando a agenda do Ruiz não permitiu que ele participasse do espetáculo, vários atores foram testados para o papel, até que a Lavínia (Pannunzio, a diretora) perguntou se eu queria assumí-lo. Aceitei na hora”, conta, animado.

Para a caracterização do personagem, ele se inspirou no prório autor, na ambiguidade sexual de Madame Satã e nos amigos do mundo da moda. “Foi muito interessante ver como o Ruiz construiu o Adonis. No primeiro mês de ensaio, peguei muito dele, os trejeitos vieram de amigos da época da moda e das caminhadas pela Augusta. Tem muito de Madame Satã também, de ser homem quando tem que ser, mulher quando tem que ser”, explica.

Todo mundo espera que eu seja um rapaz fofo, delicado por isso tento cada vez menos ser um bom moço

Sobre o universo da prostituição que ele retrata em cena, o ator é direto: “Homem consegue sexo mais fácil, então o michê é desvalorizado. Uma garota de programa tem muito mais valor do que um michê. A mídia evidencia muito mais as prostitutas. Todo esse universo da prostituição é meio invisível, na verdade, mas eles são mais invisíveis ainda."

Daniel tem as cenas mais ousadas da peça. Beijos e sexo fazem parte do roteiro, coisas que o ator aprendeu a tirar de letra. “No inicio foi complicado, mas conheço a Bruno (Kott, seu par em cena) há tempos, estudamos e trabalhamos juntos, a gente já tem cumplicidade, um sabe onde o outro vai. A peça criou uma maturidade, então acabou se criando uma relação mais natural em cena também”, finaliza.

Seu próximo passo profissional será um salto de seu momento atual. Do submundo de Adonis ele vai sem escala para uma minissérie religiosa da Record, onde integra o elenco de “A Bíblia” - por enquanto, ele pouco sabe sobre seu papel.

O que ele sabe é que fica em cartaz com O Covil da Beleza até domingo (27). É a última chance de ver o espetáculo.


Serviço:

O Covil da Beleza

Teatro Augusta - Rua Augusta, 943

Telefone Bilheteria: +55(11) 3151-4141

Ingressos: R$ 50,00 (Inteira) às Sextas e Domingo; Sábado R$ 60,00 (Inteira) – Meia Entrada mediante apresentação de comprovante.

Horários: Sexta às 21h30, Sábado as 21h e Domingo às 19h.

Sala Nobre: 302 Lugares.

Gênero: Drama.

Duração: 70 Minutos.

Classificação: 12 anos.



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