Responsável pela maquiagem da cantora, Carol Almeida Prada tem porte de estrela e bom humor para enfrentar os desafios de ser uma transexual

Ela tem participação fundamental na beleza da cantora Wanessa . Com seus pincéis, ela deixa a artista pop pronta para brilhar nos palcos. Mas, mesmo ficando nos bastidores do espetáculo, a maquiadora Carol Almeida Prada , 30, também tem porte de estrela. E o brilho começa logo pelo sobrenome de grife que ela escolheu para si. “É Carol Almeida Prada. Não é Chanel, nem Gucci. É Prada.”

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A maquiadora brinca com seu sobrenome dando pistas de que leva a vida com muito bom humor. Nascida Celso Ricardo de Almeida, ela não se importa em ser chamada pelo nome de batismo, mas faz uma provocação: “O mais condizente é me chamar de Carol, não é? Porque fica estranho chamar o Celso e chegar eu.”

Indicada por um colega, Carol começou a trabalhar com Wanessa sem ser fã da cantora, mas já a admirando como profissional. Com a convivência com a artista, a admiração da maquiadora aumentou. “É fácil de trabalhar com ela. Dificilmente ela fica mal-humorada. E, quando fica, é só esperar um pouquinho, que daqui a pouco passa e ela já ri de novo.”

Apesar de não trabalhar só para Wanessa, a maquiadora prioriza a agenda da cantora. “Ela me dá liberdade para maquiar outras pessoas. Tenho os horários dela, e só atendo outras clientes quando há tempo vago. Dou prioridade para ela”, explica Carol, que elogia a abertura que a estrela lhe dá.

“Ela me dá muita liberdade para eu ser como sou. Não me poda em nada. Não fala que tenho que ser menos. Até porque ela não precisa disso. Ela é confiante. Tem nome, vida, carreira, não precisa disso. Não precisa se incomodar com pouca coisa”, aponta Carol.

Carol conta que se dá bem tanto com os fãs da cantora quanto com os membros da equipe de produção de Wanessa, grande parte dela composta por homens. “De início, sou introspectiva, porque você nunca sabe qual vai ser a reação da pessoa. Geralmente, os caras olham para você vestida como mulher e acham logo que vamos dar em cima deles, mas depois percebem que não é nada disso”, observa a maquiadora. “Com o tempo, vou ganhando a confiança deles e logo já estou fazendo gracinhas para todo mundo rir”, completa.

Um dos momentos mais divertidos do trabalho com a cantora e sua equipe se dá nos aeroportos, quando Carol ajuda a estrela circular incógnita. “Eu, deste tamanho, com esse cabelão, com os óculos escuros e uma bolsa gigante, acabo chamando muita atenção. Nessa hora, a Wanessa manda eu ir na frente. O que acontece é que todo mundo fica me olhando e nem vê a Wanessa passar sossegada”, relata a maquiadora, se divertindo ao lembrar da situação.

Maquiagem sim, milagre não

Apesar de reconhecer as ‘mágicas’ proporcionadas pela maquiagem, Carol é bem direta ao explicar que não é nenhuma milagreira. “Não adianta nada ter uma pele ruim e uma base incrível. Tem que tratar a pele primeiro. Para ser bem sincera, se a pessoa é feia e se maquia, ela vai continuar feia, só que maquiada. Ela não vai ficar linda. Ela não fez plástica. Não é cirurgia”, decreta a maquiadora, sem pudores.

Não sei em qual definição me encaixo, se sou transexual ou travesti. O que sei é que sou um menino, mas gosto de me vestir de menina, gosto de viver assim

Independentemente do alcance dos milagres de que a maquiagem é capaz, Carol admite que jamais sai de casa de cara lavada.“Não consigo sair só com BBCream (creme corretivo). Na academia mesmo já coloco cílios, faço delineador, faço chapinha”, revela a maquiadora, citando o cosmético beauty balm, última sensação no universo da beleza.

Aliás, Carol diz que uma boa produção ajudar a levantar qualquer moral baixa. “No dia em que se está insegura, o melhor maneira de se reverter isso é se montar, se arrumar. Você vai certamente melhorar. Se estiver bem por fora, as pessoas legais vão se aproximar. Você já vai sentir aí outra energia, e quando menos esperar, estará bem novamente.”

Para sempre Celso

Carol não fez e não pensa em fazer a cirurgia de readequação de gênero. “Me sinto super à vontade em ainda ter o sexo masculino. Não sei em qual definição me encaixo, se sou transexual ou travesti. O que sei é que sou um menino, mas gosto de me vestir de menina, gosto de viver assim”, avalia a maquiadora.

A maquiadora reconhece que essa dubiedade provoca confusão na cabeça das outras pessoas quando ela apresenta um documento de identificação. “O fato de estar sempre muito montada é um escudo que eu tenho. Sei que vou passar e as pessoas vão me ver e falar: ‘gente é um travesti, mas é bonita’”, justifica Carol, dizendo que essa é uma estratégia para se sentir mais confiante.

“Você desvia a atenção do preconceito e a pessoa começa a te admirar. Porque não é fácil chegar a um guichê do aeroporto, por exemplo. Porque o atendente olha dez vezes para você e para o seu RG”, acrescenta Carol, que finaliza com uma constatação: “O Celso mesmo eu nunca vou deixar de ser. Não tem como, mesmo que eu fizesse a cirurgia."

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