17 anos depois de sair do armário em seriado de humor produzido pelos estúdios Disney, Ellen DeGeneres é considerada a apresentadora mais popular da TV americana

Era uma vez um seriado chamado "Ellen", produzido pelos estúdios Disney, sobre uma turma de amigos liderado pela comediante Ellen DeGeneres . Era uma espécie de "Friends" mais apatetado, com personagens mais caricatos, e sem tantas implicações românticas, já que Ellen, a protagonista, não tinha grandes interesses amorosos. Ela era aquela amigona de todo mundo, aquela que fazia todo mundo rir e com quem todos podiam contar na hora do aperto. Até que um dia...

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Já se vão 17 anos desde que Ellen se revelou lésbica em dose dupla para a apresentadora Ophrah Winfrey - a de verdade durante uma entrevista, a da ficção durante uma sessão de terapia com sua analista, de novo Oprah Winfrey, em participação especial na série "Ellen". A coincidência é que quando a Ellen do seriado se assumiu em rede nacional, a comediante Ellen saiu do armário junto com ela, jogando assim no horário nobre da TV americana a primeira atriz lésbica fazendo a protagonista lésbica de uma série.

O início foi difícil para as duas Ellens. A da ficção perdeu o seu seriado, que ficou no ar entre 1994 e 1998, e a possibilidade de renovar seu contrato com a Disney. A artista teve de levantar a cabeça e repetir para os Estados Unidos inteiros, em forma da capa da revista Time: "Yep, I´m Gay".

De lá pra cá, os personagens gays da TV aberta e paga americana só ganharam terreno. Particularmente no caso das lésbicas, a visibilidade entrou em uma crescente que, com o perdão do exagero (leia-se entusiasmo), subiu em escalada vertiginosa nesses últimos anos.

Nunca antes na história da TV americana houve tantas mulheres – protagonistas ou coadjuvantes – lésbicas ou bissexuais e de bem com a vida. E como a programação da TV nos Estados Unidos sempre reverbera alto aqui no Brasil, fizemos uma lista dos programas e personagens mais emblemáticos de todos os tempos.

O cenário ontem :

Xena – Não, nem Xena nem Gabrielle, sua “parceira” em batalha, eram abertamente lésbicas. Mas havia todo um texto subliminar na série que transformou essas guerreiras de cenários mitológicos em ícones não apenas para a comunidade gay, como para o movimento feminista. A série durou de 95 a 99.

Buffy – Quando a série da caçadora de vampiros estreou em 2003, nunca se imaginava que dali fosse surgir o primeiro beijo lésbico em TV aberta dos Estados Unidos. Isso aconteceu quando, na quinta temporada, Willow, melhor amiga de Buffy, e sua namorada Tara (introduzida à série na quarta temporada) se beijaram em um momento de consolo pela morte da mãe de Buffy.

The L Word – Marco absoluto para a comunidade gay. Mais até do que foi a série Queer as Folk (adaptação americana para uma série inglesa homônima), já que TLW conseguiu conquistar um público mais amplo. Centrava toda sua história em um grupo de amigas lésbicas bem-sucedidas em uma Los Angeles onde a aparência importa sim. Conseguiu sobreviver a seis temporadas e deixou referências para todo o imaginário da comunidade.

Naturalmente, além dessas personagens, várias outras séries dedicaram momentos importantes de suas histórias a tramas lésbicas. Como esquecer o casal Carol e Susan em "Friends", Samantha tendo um (curto) namoro com Sonia Braga em "Sex and the City" ou mesmo a ainda pré-adolescente Evan Rachel Wood (hoje uma atriz abertamente bissexual) descobrindo sua sexualidade com Misha Barton na série drama-xarope "Once and Again" e a própria Misha Barton se descobrindo bissexual em "The O.C."?

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Mas nada se compara ao prolífico cenário hoje. Preparem-se porque a lista é grande e olha que estamos falando apenas das séries que foram exibidas em 2013:

" Pretty Little Liars " – Série teen com quatro protagonistas, sendo uma delas Emily, lésbica, atleta, carinha e corpo de modelo. Quando decidiu sair do armário, foi super bem acolhida pelas outras três amigas. A série está em sua quarta temporada e a moça interpretada pela atriz Shay Mitchell está em sua terceira namorada.

" Glee " – A série começou chamando atenção com um personagem gay (cujo ator também saiu do armário) e, numa virada de temporada, revelou que duas cheerleaders (Santana e Brittany) tinham um caso. Esse caso viria a se transformar em coisa mais séria depois. Britanny se assumiu como bissexual e Santana como lésbica. Em função da popularidade da série entre jovens, esse foi um grande impacto.

" The Fosters " – Produzida por Jennifer Lopez, a série da ABC Family (tal como é Pretty Little Liars), traz como protagonistas um casal de lésbicas que tem três filhos (dois adotados) e vê sua rotina mudar quando uma nova menina entra pro núcleo familiar. A série tem recebido boas críticas nos Estados Unidos e já recebeu o sinal verde para a segunda temporada.

O elenco de“Orange Is The New Black
Divulgação
O elenco de“Orange Is The New Black" em pose conjunta. A série é exibida pelo Netflix

" Orange is the New Black " – A Netflix investiu pesado nessa produção que, em poucas semanas, virou febre no mundo inteiro. A história é baseada na história real de uma patricinha bissexual que precisou passar um tempo “sabático” na cadeia por um crime que ela havia cometido havia muitos e muitos anos. O elenco é de ouro e as personagens lésbicas são hilárias.

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" Chicago Fire " – A produção da NBC americana também recebeu recentemente o dinheiro para a segunda temporada. A paramédica Leslie, uma das personagens que trabalha nessa divisão de bombeiros da cidade de Chicago, é assumidamente lésbica.

" Mistresses " – A adaptação americana para a minissérie homônima inglesa, tal como na versão original, traz uma mulher que se descobre bissexual depois de trabalhar como promoter do casamento de um casal de lésbicas.

" Under the Dome " – Criada por um dos roteiristas mais badalados do momento nos EUA, Brian K. Vaughan , e baseada em um romance de Stephen King , a série de ficção científica tem como cenário maior uma cidade que, sem explicação, se vê cercada por uma bolha. De passagem pela cidade, a família da adolescente Norrie termina presa por essa bolha. Em tempo: Norrie tem duas mães e, tal como em The Fosters, além de ser um casal de lésbicas, elas são um casal interracial.

" Lost Girl " – A produção canadense tem como protagonista uma heroína bissexual. Ora apaixonada por um rapaz meio lobisomem, ora caída por uma médica, Bo sensualiza geral com ambos. Até porque sua personagem se alimenta de... energia sexual. Portanto, meninas e meninos são sempre bem-vindos em seu cardápio.

Senhora DeGeneres: Portia de Rossi integra a lista da revista Out dos gays mais poderosos do EUA, assim como sua mulher Ellen
Reprodução
Senhora DeGeneres: Portia de Rossi integra a lista da revista Out dos gays mais poderosos do EUA, assim como sua mulher Ellen

" Bomb Girls " – Outra série canadense, a história de época se passa no começo dos anos 40 e tem como protagonistas quatro mulheres que trabalham numa fábrica de produção de bombas que serão usadas na Segunda Guerra Mundial. Uma delas se descobre lésbica e chega a ter uma relação com uma soldada do exército. A série prometia, mas não conseguiu ser renovada para uma segunda temporada.

Voltando a Ellen: depois de ver seu seriado cancelado na Disney e ficar um tempo de molho, ela foi convidada para fazer de novo um personagem com o seu nome na série da CBS "The Ellen Show", que ficou no ar entre 2001 e 2002. O seriado girava em torno de uma lésbica que voltava para a casa da mãe, e para sua cidade no interior, depois de uma desilusão amorosa e profissional em NY. A série não era tão boa quanto a anterior, e não decolou.

Foi em 2003, como apresentadora de talk-show, que Ellen conquistou sua posição de maior poder, e se tornou uma forte liderança LGBT. "The Ellen DeGeneres Show", programa de grande sucesso na rede NBC, transformou Ellen na apresentadora mais popular da TV americana. O show vai ao ar todos os dias da semana nos Estados Unidos - no Brasil está no ar pelo canal a cabo GNT desde 2011. Ellen foi a apresentadora do Oscar em 2007, e será de novo na próxima premiação, que acontece dia 2 de março de 2014. Ellen namora desde 2004, e está casada desde 2008, com a atriz Portia de Rossi .

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