De cabelos curtos, roupas largas e tênis, elas têm fama de 'pegadoras' entre as lésbicas

Não é difícil reconhecê-las, especialmente por conta do visual. De cabelos quase sempre curtos, elas usam camisas e calças largas, tênis batido com cara de velho e muitas vezes um piercing rústico na sobrancelha, na boca ou no nariz. De diversas idades, essas mulheres são conhecidas entre as lésbicas como as garotas ‘bofinhos’.

CURTA O IGAY NO FACEBOOK

Integrante assumida da tribo, a maquiadora e cabelereira Anna Catharina Dias , 22, define as bofinhos como mulheres que têm trejeitos e estilo de se vestir mais masculinos. No entanto, ela explica que dentro desse universo há subcategorias. “Existem vários tipos de bofinho. A caminhoneira, a roqueira, a pagodeira e a do forró”, descreve.

A maquiadora e cabeleireira aponta as diferenças de estilo das subcategorias, de novo definidas pelo jeito de se vestir das bofinhos. “A caminhoneira tá sempre de camisa de flanela e boné. Já a do forró usa roupas mais básicas e tem até cabelo comprido”, distingue Anna.

Essa preferência por um visual masculino não necessariamente indica falta de delicadeza. “No sentimento e no jeito, somos muitas vezes delicadas”, pondera.

Luma Ferreira , 21, formada em Gastronomia, concorda com Anna. “Mesmo as meninas mais marrentas são cheias de mimimi. Afinal, é tudo mulher né?”, brinca Luma, revelando ainda uma predileção das meninas em acompanhar os desígnios dos astros no horóscopo. “Nos relacionamentos, por exemplo, o signo tem que casar. Senão não dá certo”, decreta ela.

Falando em relacionamentos, Anna e Luma revelam que as bofinhos costumam se interessar por alvos amorosos que são o oposto delas, ou seja, mulheres mais femininas. “Já vi bofinho com bofinho, mas é raro. Não dá certo, elas acabam brigando rápido”, ironiza a cabeleireira e maquiadora.

A personagem Shane da série 'The L Word' é ícone das Bofinho
Divulgação
A personagem Shane da série 'The L Word' é ícone das Bofinho

Parece, mas não é

Nesse universo é preciso tomar cuidado com as generalizações. Porque nem tudo é como parece, de acordo com a publicitária Carol Caixeta , 24. “As bofinhos mesmo são mais truculentas, mais ativas na hora do sexo e não têm muita paciência para assuntos de menina. Já as que só se vestem como bofinhos são simplesmente mulheres que gostam da estética masculina na hora de se vestir”, observa.

Carol se vê como integrante da segunda turma. “Sou bem menininha, cheia de dengos. Mas por conta do cabelo curto e dos looks meio One Direction, me acham bofinho”, conta Carol, dando uma gargalhada ao citar a banda inglesa amada pelas adolescentes na faixa dos 15 anos, cujos integrantes usam peças de alfaiataria, gravatinha e cabelos curtos estilosos.

Para Anna, esse estilo masculinizado é mais forte entre as mulheres mais jovens e muitas vezes peca pelo exagero. “Principalmente na adolescência, as meninas acabam exagerando, usando looks muito masculinos e falando como homem para se impor. Com o tempo elas vão percebendo que não é necessário, e acabam achando o próprio estilo”.

Infográgico : Tribos gays: conheça as turmas do universo LGBT

Independente dos possíveis exageros e das diferenças, a três entrevistadas concordam com um gosto que une todas as bofinhos: uma loira gelada. “Nós gostamos de bar, de beber cerveja e falar sobre mulher. É um grupo muito pegador”, admite Luma, que revela que a personagem Shane ( Katherine Moennig ) da série “The L Word” é a musa inspiradora da tribo. “Ela é um ídolo de toda bofinho”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.