No clima da Copa do Mundo, o iGay falou com gays e lésbicas fãs do esporte número um do Brasil

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"Se você é gay, futebol não é para você. É uma coisa já estipulada", diz Arlindo Locheti

“Se você é gay, futebol não é para você. É uma coisa já estipulada, você pode gostar no máximo de vôlei”, observa o estudante de engenharia Arlindo Locheti , 24, sobre a ideia de que o esporte favorito dos brasileiros só agrada os heterossexuais. Mas o próprio Arlindo desmente este estereótipo.

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Apaixonado pelo esporte desde a infância, Arlindo revela que o futebol acaba interferindo até em seus relacionamentos amorosos.

“Se não for palmeirense não passa de fase, não tem jeito”, ironiza o estudante, dizendo que prefere namorar um homem que torça pelo mesmo time que o dele, o paulistano Palmeiras.

Torcedor do tipo que sabe as escalações do times e as regras do futebol de cor, Arlindo prefere ver os jogos pela TV e não ao vivo no campo.

“Estádio só para o show da Madonna, para jogo, dá azar. Tentei algumas vezes e só deu errado”, diz o estudante, revelando a sua superstição. 

O antropólogo Bruno Puccinelli, 31, também evita as arquibancadas, mas não por supertição e sim pelo medo da violência. “Em estádio eu não vou. Outro dia, quase combinei com um amigo gay corinthiano de vermos um São Paulo e Corinthians, mas não rolou. Tenho medo pela violência geral, por saber da homofobia das torcidas organizadas”, explica ele.

Além de adorar discutir o lances dos campeonatos de futebol brasileiros e internacionais como os amigos, o antropólogo manifesta sua paixão colecionando camisas oficiais dos times de cada cidade que visita. Mas diferentemente de Arlindo, ele não tem retrições a namorados que torçam para os times rivais do Corinthians.

Bruno Puccinelli: “Em estádio eu não vou, por causa da homofobia das organizadas
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Bruno Puccinelli: “Em estádio eu não vou, por causa da homofobia das organizadas"

A comerciante Gabriella Montalvão Victor , 22, não tem medo de assistir aos jogos no estádio, pelo contrário, faz questão de acompanhá-los junto à torcida organizada. “Os caras me falam: ‘você gosta de mulher, de futebol, vamos pro bar’”, se diverte Gabriella, lembrando a maneira que é tratada pelos outros torcedores.

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Filha de pais separados e morando com a mãe, Gabriella conta que o futebol foi fundamental na relação com o seu pai. “Quando dá, vamos aos jogos, mas como moramos em cidades diferentes, acabamos debatendo as partidas pelo telefone. Virou um ritual nosso”, relata.

Também torcedora do Palmeiras, a comerciante acabou perdendo uma namorada por conta da sua paixão pelo time. “Teve uma final de campeonato que caiu no dia do nosso aniversário de namoro, falei para ela que só poderíamos sair antes ou depois jogo. Ela nunca mais gostou de futebol depois disso”, recorda Gabriella.

Estudante do curso de História, Gabriella está pensando até em trocar de faculdade por causa do seu amor pelo esporte. “Eu só consumo futebol, só vejo, só leio sobre isso. E não é só sobre o Palmeiras , mas sobre o esporte mesmo”.

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"O Corinthians é minha vida, minha história e meu amor", diz Leticia

A produtora Letícia Vieira Peres , 27, também é do time das que preferem ver a bolar rolar das arquibancadas e não do sofá de casa. “É lá que você assiste ao jogo de verdade, vê posicionamento tático, migué de jogador e outras coisas que não dá pra ver pela TV. Eu também acredito que ir ao estádio ajuda ao meu time ser maior do que ele já é”. constata Letícia, torcedora do Corinthians.

Aliás, ela não esconde a sua devoção quase religiosa pelo Timão. “Ele é minha vida, minha história e meu amor. Desde pequena, jogando na rua descalça com os moleques”, relembra Letícia, que conseguiu incutir na namorada o encantamento pelo time. “Ela aprendeu a curtir e virou corinthiana. Ela só não gosta quando eu grito muito alto durante o jogo”, confessa.

A única decepção da produtora está na falta de times feminos para bater uma bola: “É difícil achar um grupo de meninas que jogue religiosamente toda semana. Isso é triste”, conclui.

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