Silvetty Montilla: "Com público gay, você é bom ou é bom, não tem meio termo”

Fazendo até nove apresentações por noite em clubes gays, a drag queen agora diverte o público hetero participando do stand up “Terça Insana”, em São Paulo. O espetáculo faz três apresentações especiais na semana do orgulho gay. Veja trecho em vídeo

iG São Paulo , por Iran Giusti |

'O Terça Insana me traz o contato com o público hétero, de velhinhas a jovens e tô sendo muito bem recebida'. Foto: André GiorgiSobre Feliciano: 'Sobre ele não falo, ele é um nada, ele não me representa e não quero dar ibope'. Foto: André GiorgiSilvetty Montilla e as jóias, motivo de piadas durante o espetáculo . Foto: André GiorgiA Drag Queen Silvetty Montilla trabalha na noite há 26 anos. Foto: André Giorgi'Estou com 45 anos, não sei se essas meninas novinhas que só batem cabelo aguentam fazer isso na minha idade'. Foto: André Giorgi'Drag é igual Gremlin, você joga água elas  multiplicam' Silvetty Montilla. Foto: André Giorgi'Não acho que sou especial, mas sou com certeza a que mais trabalha', Silvetty Montilla. Foto: André Giorgi'Da Silvetty pro Silvio tem um abismo, eu sou totalmente diferente'. Foto: André Giorgi'Minha família respeita profundamente tudo que eu faço', Silvetty Montilla. Foto: André Giorgi

Diva absoluta na noite paulistana há 26 anos, a drag queen Silvetty Montilla, 45, testa agora sua verve cômica fora dos palcos dos clubes gays. Durante todo o mês de maio, ela se apresenta em São Paulo no famoso espetáculo de comédia stand up “Terça Insana” - criado e capitaneado pela atriz Grace Gianoukas. Como o nome sugere, as apresentações acontecem todas as terças-feiras no Teatro Itália, às 21h. Em comemoração à Semana do Orgulho Gay, que termina com a Parada Gay, no dia 2 de junho, serão feitos três apresentações extras nos dias 29, 30 e 31 de maio, às 23h57.

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Silvetty nota diferença entre o que provoca risos nos clubes e no teatro tradicional. “O Terça Insana me traz o contato com o público hétero, de velhinhas a jovens. Tô sendo muito bem recebida. Com o público gay, ou você é bom ou é bom, não tem meio termo. Para o hétero é só falar ‘meu c*’ que eles já caem na gargalhada”, conta.

Com o público gay, ou você é bom ou é bom, não tem meio termo. Para o hétero é só falar ‘meu c*’ que eles já caem na gargalhada”

Na estreia da participação dela, na última terça-feira (07), Silvetty recebeu a reportagem do iGay minutos antes do espetáculo. De peruca branca na altura do ombro, microvestido cheio de franjas e se equilibrando com segurança num saltão quinze, a drag circula silenciosa na coxia do teatro, demonstrando ligeiro nervosismo.

Mas quando os cliques da máquina fotográfica começam a disparar, ela se solta instantaneamente diante da câmera. Fazendo caras e bocas, a drag diverte a todos que estão por perto com sua performance. Durante a sessão fotos, ela muda de ideia e decide subir ao palco com uma peruca de cabelos curtos aloirados. “Vou de Tina Turner”, brinca.

Alguns minutos depois, Silvetty já está no palco do espetáculo arrancando com facilidade risos da plateia variada, com gente de todas as idades. Uma das primeiras tiradas é com as brilhantes bijuterias que usa. “Vocês tão passados com as joias, né? Condições! Quem pode, gasta. Quem não pode, me olha... Só um anel desses, oito apartamentos em Pirituba”, dispara a drag, fazendo troça com o bairro da Zona Oeste. “O brinco (vale) um carrinho de cachorro quente”, continua.

No show, a drag também diverte o público cantando a música “O Que É, O Que É?”, sucesso do cantor e compositor Gonzaguinha. Quando o público não obedece a seu comando para cantar junto, Silvetty engrossa voz e solta um palavrão, para delírio da plateia, que cai na gargalhada. O público continua ganho até o final da apresentação, que termina sob muitas palmas.


Já fora do palco, Silvetty fala sobre o início de carreira. “Eu nunca imaginei fazer nada disso, me inscrevi em concursos de Miss Gay, Miss Primavera, Miss Cidade e ganhei todos, aí depois fui ser bailarino. Até que um dia no extinto bar Vila Verde, a apresentadora faltou eu entrei. Fui xingada, xinguei de volta e funcionou”, resume.

A carreira que começou por acaso deu certo, a ponto de ela hoje só conseguir tirar folga nas quartas-feiras. “Sexta e domingo são meus dias mais corridos, sexta são cerca de quatro shows, e aos domingos, seis. Mas já cheguei a fazer nove apresentações por noite”, revela. Além de proporcionar tranquilidade financeira, o dinheiro das apresentações é usado para ajudar a família, que mora com Silvetty no bairro da Casa Verde (Zona Norte).

O nome Silvetty é uma derivação do nome de batismo do intérprete da drag, Silvio. Já o sobrenome é uma referência etílica. “Eu não bebo, mas todo mundo sempre dizia que viado que é viado tem que ter sobrenome, as pinguças me chamavam de tudo, Silvetty 51, Silvetty Campari, achei que Montilla combinou e ficou”, explica ela, fazendo referencia a uma série de bebidas.

Silvetty sente falta de humor no trabalho da nova geração de performers da noite gay. “Hoje em dia está em alta a drag bate cabelo, subir no palco e ficar girando, isso qualquer uma faz. Não estou menosprezando, considero, por exemplo, a Alexia Twister uma das melhores da noite, ela dança, bate cabelo, faz humor. Estou com 45 anos, não sei se essas meninas novinhas que só batem cabelo aguentam fazer isso na minha idade”, avalia.

Solteira atualmente, Silvetty conta que perdeu seu grande amor numa das últimas edições da Parada Gay de São Paulo, onde o ex se interessou por outra pessoa. “Ele tentou esconder, mas não conseguiu. Falei para ele ser feliz, e ele foi. A gente que trabalha com noite, que trabalha muito se complica. Da Silvetty pro Silvio tem um abismo, eu sou totalmente diferente, muito calmo e gosto muito disso, pena que as pessoas não entendam”, lamenta.

Hoje em dia está em alta a drag bate cabelo, subir no palco e ficar girando, isso qualquer uma faz. Não estou menosprezando, tem gente muito boa. Mas não sei se essas meninas novinhas que só batem cabelo aguentam fazer isso na minha idade.

A diferença entre a exuberância da drag e do seu intérprete é realmente contrastante. Isso fica bem evidente depois do espetáculo, quando Silvio a aparece “à paisana”, de camiseta e calça jeans. Puxando uma mala de rodinha, que guarda seus acessórios e figurinos, o ex-oficial promotoria se despede da reportagem sem dar pista na porta do teatro de que ele é o alter ego da drag Silvetty Montilla.


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