Conheça a história de três mulheres que, além de apoiar os filhos homossexuais, se jogam com eles na pista de dança

Marcus Rosseto é um estudante de química de 21 anos. Gustavo Saab , um publicitário de 25. E Ângelo Medeiros , um professor de gastronomia de 33. Além do fato de serem gays, os três têm outra coisa em comum: mães baladeiras. Animadas, elas se jogam na pista de dança junto com os filhos.

Mamãe Sueli é uma ótima companhia na balada gay, quem garante é o filho Marcus
Arquivo pessoal
Mamãe Sueli é uma ótima companhia na balada gay, quem garante é o filho Marcus

Sueli Rosseto , 51, mãe de Marcus, é católica praticante daquelas de carteirinha – que canta no coro e que não dispensa a ida dominical à igreja. Ela não falta à missa, mesmo que tenha curtido a noite de sábado com o filho na balada gay.

CURTA A PÁGINA DO IGAY NO FACEBOOK

“Eu e meu marido sempre fomos muito presentes, tanto para o Marcus quanto para o irmão; os dois sempre traziam os amigos em casa, e eu sempre estive no meio deles. Quando ele me convidou para a balada, eu fui com meu marido numa boa”, recorda Sueli, que mora atualmente em São José dos Campos. “Foi muito da hora, as pessoas perguntavam se eram meus pais mesmo, a gente bebeu junto, dançou”, recorda o filho.

A estreia da empresária de Natal (RN) Sandra Azevedo , 55, nas baladas coloridas foi num dos mais tradicionais clubes gays paulistanos. “Eu estava em São Paulo com o meu filho Ângelo, uma noite ele falou que iria para Alôca e me chamou. Fui, e gostei tanto que continuei indo. Nas outras vezes que voltei à cidade, fui também à Parada Gay”.

Veja também: 10 baladas gays imperdíveis de São Paulo

Essa proximidade de Sandra e de Ângelo foi muito importante durante o divórcio dela. “Ele é o meu filho do meio, o que mais me deu suporte durante o período. Quando a gente sai, a gente se diverte. Adoro a animação da balada GLS. A alegria é contagiante, eu amo”, conta ela empolgada.

Gustavo também deu todo o seu apoio para a mãe Angel Saab , 52, durante uma separação. “A primeira vez em que saímos juntos para uma balada gay foi logo após o meu divórcio. Na mesma época, ele também tinha se assumido”, explica ela. Entendida nos programas da turma LGBT, a baladeira revela qual o seu atual point favorito. “Ultimamente tenho ido mais à (festa) Gambiarra, por causa da energia, da animação e da música. E dos gays, que eu adoro, claro”.

 Angel entende de balada gay, se bobear, mas do que o filho Gustavo
Arquivo pessoal
Angel entende de balada gay, se bobear, mas do que o filho Gustavo

Os três filhos não demostram a menor vergonha com a presença das mães em suas aventuras noturnas. Para provar seu desprendimento, Ângelo relembra até uma história divertida e inusitada que passou ao lado de Sandra. “Quando saímos, nem sempre ficamos juntos, cada um faz a sua balada e nos encontramos depois para tomar uns drinks juntos. Mas uma noite ela foi atrás de mim no dark room só para me devolver um copo”, relata ele, caindo na gargalhada.

Ângelo se diverte com Sandra, mesmo quando ela invade o dark room sem querer
Arquivo pessoal
Ângelo se diverte com Sandra, mesmo quando ela invade o dark room sem querer

Ângelo tem mais uma história divertida de Sandra. “Já tive que pedir para um amigo meu chamar a minha mãe pra ir embora. Ela estava acompanhada e não queria sair da balada”, diz ele, se divertindo com a memória da situação.

Outra similaridade que une essas mães é o processo de aceitação da sexualidade dos filhos. “No início, eu fiquei assustada, achava que ele poderia mudar, mas sempre continuei o amando, e com o tempo passei a não ter problema nenhum com isso”, medita Sueli.

“Minha preocupação era a discriminação, a marginalização, o que ele ia ter que enfrentar. Se aqueles ataques da Paulista tivessem acontecido na mesma época, eu teria enlouquecido”, ressalta Angel, fazendo menção ao período em que homossexuais foram agredidos na conhecida avenida paulistana, em 2010.

“Acima de tudo, eu quero ver o meu filho feliz, então levanto a bandeira por ele sempre”, conclui Angel. O filhão Gustavo agradece o carinho. “Ela é uma amiga, uma companheira que me conhece completamente e também uma ótima parceira de balada, curto muito a nossa relação.”

Veja também no iGay: 
Guia Gay: Os points mais quentes de Brasília, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo
Seguranças contam porque preferem trabalhar em baladas gays
11 points gays 'obrigatórios' para garotas em SP


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.