Sexóloga Fátima Protti responde a dúvida de leitor do iGay: "Um bom sexo só acontece quando as pessoas vivem sua sexualidade livres de preceitos e de papéis definidos"

“Estou a fim de um cara e ele também está a fim de mim, mas não sei se ele é ativo ou passivo. Como descobrir?”

No processo psicoterapêutico, vejo que essa preocupação surge com certa frequência diante de uma transa. Que papel terei no sexo: passivo ou ativo?

Os incômodos e conflitos no que diz respeito a ser ativo ou passivo, geralmente são frutos de sentidos e significados atribuídos aos papéis de submissão e dominação. O papel passivo revela uma identificação com a fêmea, que durante o sexo é tomada e submetida à dominação do macho viril, “é comida”, no sentido brasileiro. Ela é a figura desvirilizada.

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Durante o encontro uma dúvida surge:
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Durante o encontro uma dúvida surge: ""Ele é ativo ou passivo?"

Da mesma maneira, no sexo homoerótico, manter o ânus intacto é ser o dominante e o macho viril na relação, ideia valorizada desde a Grécia Antiga.

Precisamos entender que os papéis de dominação e submissão fazem parte do jogo erótico e é um conjunto de atitudes para a obtenção do prazer sexual, tanto para homossexuais quanto para heterossexuais.

A apreensão, também pode vir do medo pelo desconhecido, quando é a primeira vez. Ou por não querer frustrar a expectativa do parceiro quando uma das práticas não é a sua praia.

Com liberdade, alguns gays que eram apenas o ativo na cama experimentaram, gostaram e entenderam a prática passiva como mais uma maneira de obter prazer.

Outros gays têm prazer como passivos, mas depois da transa ficam péssimos e juram nunca mais repetir. Tem aqueles que só se permitem ser ativos, apesar de desejar outra forma de prazer.

Um bom sexo só acontece quando as pessoas vivem sua sexualidade livres de preceitos e de papéis definidos que impeçam a plenitude do prazer. E, sempre, com respeito a si mesmo e ao outro.

Durante o sexo experimentamos dar, receber afeto e prazer sexual através dos toques, beijos, falas e práticas sexuais variadas. Pensar na transa e no prazer apenas pela prática de quem vai penetrar ou ser penetrado é diminuir as chances de ter um ótimo momento.

Caro leitor, não sei em qual situação você se encaixa e o grau da sua preocupação, a ponto de impedir seu encontro. Relaxe!

Você só tem duas formas de saber: conhecendo alguém que já transou com ele ou descobrir sozinho. Em minha opinião, a segunda opção pode ser a melhor, afinal você nem sempre contará com uma referência. Por outro lado, tem a chance de viver novas sensações.

Lembre-se que o respeito por seus limites é imprescindível, se aquele não for um bom momento para experimentar uma novidade, diga “não”.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Sexo, Amor e Prazer”. www.fatimaprotti.com.br 

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