Fãs de roupas menos convencionais, homossexuais são rotulados como usuários de uma “moda gay”

Sócia de uma agência de publicidade em mídias sociais, Lalai Luna não vê problemas no fato de seus funcionários se vestirem de forma ousada. “Já tivemos um funcionário que foi trabalhar de saia”, exemplifica a empresária. Fugir da obviedade na hora de se vestir num negócio como o dela é um diferencial, algo que destaca alguém dos demais.

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Lalai diz que há exceções em relação à vestimenta em alguns casos. “Lidamos com alguns clientes mais conservadores, então o meu colaborador não iria a uma reunião de saia ou bermuda, mas são as únicas restrições”, explica a empresária.

O redator Buno Frika
Arquivo pessoal
O redator Buno Frika

O redator Bruno Frika , 28 anos, que também trabalha numa agência de publicidade, confirma a liberdade no dress code neste tipo de empresa, mas conta que muitas pessoas fazem brincadeira com seu estilo de vestir. “Já ouvi muita gente dizendo coisas do tipo ‘nossa, você tá gay hoje, hein?´”, conta, dizendo que leva numa boa esse tipo de comentário.

“No meu trabalho, ser gay nunca afetou em nada, nunca tive problema com gente me chamando a atenção por estar com o que as pessoas chamam de ‘roupas gays’’’, explica Bruno. “Não me encaixo no estereótipo de roupas justinhas com paetê, porque não combina com a minha personalidade, mas não tenho problema com roupa rosa ou estampas florais”, completa o redator.

Roteirista do programa “GNT Fashion” (GNT), Glauco Sabino , 27, tem um modo bem simples de saber se sua roupa está ou não adequada ao código de vestimenta no trabalho, o chamado dress code. “O segredo é perguntar. Se é a regra da empresa, não dá para trabalhar em um escritório de advocacia e querer ir de bermuda e chinelo só porque esse é o seu estilo”, avalia.

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Glauco também percebe que a ousadia na hora de se vestir é identificada como “moda gay”. “Existem alguns estilos que esse ou aquele grupo gosta mais de seguir, mas não podemos generalizar, o que acontece é que gays são geralmente mais ligados a novidades, tendências, têm uma sensibilidade e um apuro estético maior e, principalmente, têm um medo bem menor de usar essa ou aquela peça mais ousada”, afirma.

O publicitário Pedro Cerqueira
Arquivo pessoal
O publicitário Pedro Cerqueira

O publicitário Pedro Cerqueira , 23, acredita que quem foge do estereótipo do que é considerado como “figurino hétero” no trabalho acaba mesmo ganhando rótulo de gay. “Tenho noção de que nunca fui de me vestir como um menino tradicional, bermudão, camisetão, tenão e tudo mais com ‘ão’”, brinca. Mas ele pondera que o estilo de se vestir dos homossexuais, assim como dos heterossexuais, é muito variado e não pode se resumir a um estereótipo.

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Mestra em Psicologia Social, Fergs Heinzelmann entende a moda como uma extensão da identidade de cada pessoa. “É também um espelho do comportamento de uma época, refletindo o espírito deste tempo por meio das roupas e acessórios”, conclui.

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