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Com direito a atraso duplo, paulistanas sobem ao altar cercadas pela família: "O que é meu é meu, o que é dela é dela, a gente se respeita"

Da maneira mais clássica possível, a supervisora de Call Center Camila Sabino , 28, e a estudante Bianca Corol , 22, se casaram na noite do último sábado (06), em um bufê da zona leste de São Paulo. Não faltou nem o tradicional atraso da cerimônia. Levando em consideração o fato de que eram duas noivas, a espera de uma hora até que não foi muita.

Parentes e amigos encherem o local, que estava decorado com flores e fotos que contavam a história do casal. Uma juíza de paz do cartório de Itaquera estava a postos num altar montando no salão, só esperando as protagonistas da noite chegarem.

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O bufê foi escolhido como local do casamento pela discrição. “Não queria casar no cartório, queria privacidade”, explicou Camila antes de subir ao altar. Foi ela quem tomou a inciativa de casar de papel passado, depois de quatro anos de relacionamento.

Quando as noivas finalmente chegaram, a juíza de paz se endireitou rapidamente no altar. Primeiro, entraram os oito casais de padrinhos. Um deles era formado pelo irmão de Camila, André Sabino, e pelo parceiro dele, Nick Rosito. “Escolhemos pessoas que nos apoiaram ao longo do nosso relacionamento”, esclarece Bianca, sobre as pessoas escolhidas para apadrinhar a relação.

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Depois da entrada de padrinhos, a tradicional marcha nupcial começou a tocar, anunciando a chegada das noivas. Conduzida pela mãe Eliana Sandra, Camila foi a primeira a entrar. Em seguida, Bianca foi levada ao encontro de sua parceira pelo seu pai, José Geraldo Souza.

Pouco antes da cerimônia, a presença do pai dela era uma incógnita entre os convidados. Dias antes, Bianca havia brigado com ele depois de contar que ia retirar o sobrenome Souza da família dele para usar o da mulher, Sabino. “Fiquei superfeliz de ele ter vencido o orgulho dele por mim”, disse aliviada a estudante.

Bem-casados: docinhos para marcar a união e adoçar a boca dos convidados
Edu Cesar
Bem-casados: docinhos para marcar a união e adoçar a boca dos convidados

Com esse obstáculo vencido, as noivas trocaram as alianças entregues por uma dama de honra. Depois de assinar o livro do cartório, as duas se tornaram então Sra. e Sra. Corol Sabin. Por causa das contas do apartamento que elas acabam de comprar, as noivas optaram por fazer a lua de mel num lugar perto, uma praia do litoral paulista.

E quais são as expectativas do casal agora que a relação está oficializada no papel? “É um relacionamento normal. Dividimos as contas da mesma forma. O que é meu é meu, o que é dela é dela, a gente se respeita. Dividimos os trabalhos domésticos também”, responde Bianca.

Em breve, a família será aumentada. Por inseminação artificial, Camila deve gestar o filho das duas. “Eu não tenho o sonho de me ver grávida, ela tem”, revela Bianca.

Casamento igualitário

Camila e Bianca só puderam se casar oficialmente sem recorrer à justiça porque os cartórios de São Paulo desde 1º de março realizam casamentos de pessoas do mesmo sexo . Os estados de Alagoas, Ceará, Bahia, Brasília, Piauí, Distrito Federal, Espirito Santo, Sergipe e Mato Grosso do Sul também oficializam uniões.

Todos esses estados seguiram uma decisão de 2011 do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a equivalência entre as uniões homossexuais e heterossexuais, garantindo a elas direitos legais iguais.

Não existe ainda no Brasil uma lei que reconheça essa equivalência. No Congresso Nacional, há uma proposta de emenda constitucional para alterar o art. 226 da Constituição Federal, que regulamenta o casamento civil igualitário. De autoria do deputado Jean Willis (PSOL-RJ), o projeto ainda se encontra na fase de recolhimento de assinaturas.

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